...a génese

Para dizer a verdade, não sei por onde começar, mas posso afirmar que o caracol é a mais fiel caricatura da realidade deste primeiro quinto de século.

Discorde se for capaz: se o mundo fosse um caracol, não é de acreditar mesmo que o seu órgão genital estivesse próximo da boca? Que a maioria das pessoas sobre a Terra esteja vivendo feito mortos até que o milagre da vida acabe, sem entendê-la, ou subvertendo o seu propósito?

Sabia que o caracol pode dormir durante dez anos?

Não seria um imenso caracol a mistura de informação fractalizada que o povo faz, pensando entender tudo, contudo engolindo qualquer manchete, mesmo que nem seja uma manchete oficial, ruminando qualquer coisa?

O caracol gasta dias digerindo pedaços de frutas ou de minhocas, e come até lesmas, uma espécie similar a ele mesmo. Mais similaridades: o caracol não enxerga, cheira e ouve o galo cantar mas não sabe aonde.

E com relação à guerra de gêneros, ou proliferação de centenas de novos gêneros que tem despertado a curiosidade de quase toda gente, desde pseudo-adolescentes a provectos membros da comunidade senior? Veja, um caracol sendo hermafrodita, portanto possuindo dois sexos, não pode procriar sozinho mas, ao acasalar com um parceiro, obviamente também com os dois sexos, luta com o mesmo e o vencedor será o pai, isto é, o que fecundará aquele que fará o lugar da fêmea que, por sua vez, fica com a tarefa mais árdua, a da gestação, daí a briga, nenhum quer pegar o mais oneroso... Entendeu? Não tem problema, os desenhos nesta coluna Cara e Col tentarão ilustrar essa pendenga, isto é, a crônica do dia-a-dia com todas as suas redundâncias.

Por fim, sem esgotar o repertório dos caracóis, nem de longe, tudo não passa da velha dicotomia bipolarizada entre o bem e o mal, o pobre e o rico, o fraco e o forte, o que tem mais e o que tem menos, sejam lá o que significarem esses conceitos. Saravá!

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